sábado, 17 de dezembro de 2016

Natal Feliz

Eu tenho aquele hábito delicioso de Natal de passar o tempo a ouvir músicas de Natal. É no carro, a cozinhar, a estudar... em todo o lado! Não para entrar no espírito, mas porque acredito que o espírito já vive em cada um de nós, só temos que o deixar brilhar.

Não conseguiria escolher uma única música que seja a minha favorita ou que melhor caracterize o Natal, mas hoje partilho esta, como um abraço carinhoso dado aos amigos (quase como um prenúncio daqueles com quem vou partilhar vida logo à noite).
"Embora tenha sido dito muitas vezes, muitas maneiras, feliz Natal para ti!"



terça-feira, 23 de agosto de 2016

Escolha

Hoje, como em todos os dias dos últimos 2 anos, tive mais uma vez que fazer uma escolha... e essa escolha passou por ti!
Quando estamos perante um dilema nem sempre é fácil sabermos qual o caminho a escolher, se decidimos ficar ou avançar, se vamos arriscar ou manter o que já conhecemos. Neste caso a escolha fica ridiculamente simples: é para avançar! Avançar no teu encalço... olhar na tua direcção... escolher as tuas escolhas (nem que essa seja voltar a casa para podermos descansar).
Fatalista? Nem por isso. Sempre que o faço, faço porque escolho! E essa escolha é tão sentida e assumida como no dia em que disse "vamos a isso!". Nunca te senti como um fardo, nem te vi como um estorvo, nem quando estás a riscar os meus apontamentos ou sentado em frente ao computador. És sempre mais um desafio, no meio de tantos outros.
Por estes dias perguntavam-me: "Então o que tens feito?", que brevemente respondi "Para além de ser mãe?" :)

Há sorrisos sinceros que esboçamos por detrás de um olhar cansado. Hoje o dia vai terminar dessa forma, com um sorriso cansado que só por si dirá "vale cada momento"!


terça-feira, 5 de julho de 2016

Miminho

Hoje tento-me aguentar com cerca de 5 horas de sono, 1 café e muito doçura. Mas garanto que é dos dias que me sinto mais enérgica nos últimos meses.

Esta noite o sossego lá de casa acordou inesperadamente às 5h20... (fome ? saudade? não tinha visto a mãe nesse dia). Ainda tentamos o métodos clássico, altamente eficaz: vai lá o pai, aconchega-o, dá-lhe um beijinho e diz para dormir (com a assertividade que o caracteriza).
Mas desta vez não resultou e voltamos a ouvir: "Papá..." (minutos depois) "Papá... Mamã..." (tinham passado 20 minutos e ele ainda não se tinha rendido ao sono) - A Mamã foi lá!
"Mamã!", levantando-se num pulo, afinal não me tinha visto todo o dia porque estive de SU e cheguei mais tarde que o habitual. Abraçou-me e encostou a testa a pedir um beijinho.
"Queres um bocadinho de miminho?" - Que pergunta tola, já tinha os braços enrolados no meu pescoço prontos para uma viajem até ao meu colo.
Sentamo-nos os dois enrolados no cadeirão do quarto. Cobri-o com uma manta e ordenei "vá, a mamã fica aqui um bocadinho, podes descansar agora". Mas a mamã naquele dia tinha um cheiro diferente ou então brilhava uma saudade pequenina, então decidiu colar a sua mãozinha à minha face. Não contente acariciou uma, duas, três vezes e depois puxou o meu rosto para o dele. Retribui com um beijo. "hummm, soube bem!" deve ter pensado, puxando de novo para ele o meu rosto como quem diz "fica aqui mais juntinho, que o teu respirar acalma-me e os teus beijinhos amolecem." Ficamos.

E tudo o resto é história de doçura e amor. Acordar às 5h da madrugada antes de um dia exigente é uma escolha: Eu escolhi ser mãe! E sinto-me a maior privilegiada de todo o sempre, porque não há como ser-se de outra forma. Tudo o resto, perante esta bênção, é acessório e só complementa o meu dia-a-dia. Porque na realidade o que me define é a maternidade :)

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Fragilidades

E de repente, num dia aparentemente normal, algo de diferente acontece... E um dia normal passa a ser um dia diferente... Quando a diferença se faz pela surpresa positiva, o mundo parece que nos sorri, no entanto quando o inesperado acontece na negativa surge aquele momento de pausa (como uma câmara lenta dos filmes). Vemos o mundo a passar a alta velocidade e em nós apenas cresce a angústia de não compreender as verdadeiras dimensões da situação.
Aparentemente foi só um susto! As melhoras sobrinha :)

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Apertou-me a mão...

"Eu queria ter uma família maior... mas agora tenho uma família diferente!"

Hoje uma amiga recebe a notícia que o filho tem uma alteração genética... Explicam-lhe muitas coisas, mas nenhuma das que ela esperava ouvir.
Encontro-a no corredor (na verdade reencontro-a tendo em conta que já não a via há uns anos). Fui a primeira pessoa a dar-lhe a mão... E ela agarrou com tanta força! Era o primeiro rosto conhecido que podia ajudar a desligar da angústia interna que sentia.
Não sei se ajudei, mas sei que pelo menos estive. Fiz-me presença para ela e espero ter sido um pequeno sinal do rosto de Deus naquele momento.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Lifting the Burden

Ando a trabalhar num tema que afecta um grande número de indivíduos... é muitas vezes mal diagnosticada ou interpretada como "queixinhas do doente!"... no entanto, bastante incapacitante para o dia-a-dia da pessoa, condicionando muitas vezes faltas ao trabalho.
As entidades internacionais responsáveis, lançaram um documento que intitularam de "lifting the burden" ou seja, desvendar o véu que está sob o problema, explicando-o e enquadrando-o na realidade clínica do dia-a-dia. O objectivo é clarificar os profissionais de saúde, apontando os pontos de interesse e conflito, para que possamos cuidar melhor do doente.

"Lifting the burden" é um exercício que raramente é feito no nosso dia-a-dia. Normalmente, as coisas que mais nos movem por dentro são praticamente inconscientes: ou porque não fazem parte das rotinas (não são uma tarefa como lavar a louça, pentear o cabelo, etc) ou porque não são um assunto corrente (uma notícia do jornal, episódio da série que estamos a ver, etc). Isso faz com que seja uma não assunto, mas que normalmente vive no nosso inconsciente e pauta as nossas emoções, atitudes e gestos. Levantar o véu desses assuntos nem sempre é fácil porque não nos apercebemos que eles estão ali de baixo a determinar os nossos ritmos.


Ao fim de dois meses a acompanhar a consulta de neurologia apenas posso dizer que me sinto "abençoada" por todos os que me ajudaram a fazer este exercício de "lifting the burden". E garanto-vos que isto não foi apenas em relação à minha prática clínica, reconhecendo normas de abordagem ao doente com as patologias que fui vendo. Frases como "com quem fala?" ou "e o que é que faz no seu dia-a-dia?" tornaram-se fundamentais. A saúde neural (se assim se pode chamar) é pautada por esses não assuntos diários que nos moldam como pessoas, que nos fazem ginasticar o cérebro ou percepcionar dor, iniciar a marcha ou expressar um sentimento.
Uma Norma da Direção Geral de Saúde recentemente publicada dizia que os Cuidados de Saúde Primários têm que fazer vigilância do "doente com cérebro". Achei ridículo à partida, quase que diriam que nem todos os doentes têm cérebro e por isso é preciso vigiar os alguns que ainda vão tendo! 
No entanto, ao fim destes dois meses consigo ver de outro ângulo, percebendo que é necessário desvendar o cérebro, fazendo o indivíduo olhar para dentro, para os seus não assuntos, com perguntas tão simples como "o que é que faz no seu dia-a-dia?" ou "com quem fala?"... Medicina é uma arte e fazer o outro perceber que reside nele próprio a possibilidade de mudança, isso sim é prevenir a doença e promover a saúde.